No próximo dia 18 de julho, às 18h00, o fotojornalista Marques Valentim fará a apresentação do seu livro de Fotografia e História intitulado “Portugal – da Ditadura à Democracia”.
Esta edição bilingue (português e inglês), reúne mais de duas centenas de imagens que documentam momentos decisivos da história contemporânea portuguesa, desde o conflito colonial em Moçambique e as vivências da guerra, até um universo humano intenso e diversificado, composto por populações locais, olhares expressivos e paisagens luminosas da então província ultramarina.
A obra aborda igualmente a chegada e o difícil processo de integração dos chamados “retornados”, na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974. Os principais acontecimentos revolucionários são amplamente documentados pela lente de Marques Valentim, desde a tentativa de golpe de Estado de 11 de março de 1975, passando pelo “Caso República”, pelo “Caso Rádio Renascença” e pelo conturbado “Verão Quente”, até ao 25 de Novembro, um dos momentos mais marcantes e debatidos da Revolução portuguesa.
Destaca ainda a dimensão humana da transição democrática, tornando visíveis não apenas os rostos de figuras incontornáveis da democracia portuguesa e do processo de adesão europeia, mas também os quotidianos de trabalhadores, famílias e comunidades do Portugal profundo nas décadas de 1970 e 1980, bem como as vivências de emigrantes que, em fuga à pobreza e à guerra colonial, partiram em busca de melhores condições de vida. Num tempo em que Portugal vive já há mais anos em liberdade do que viveu em ditadura, esta obra propõe, a partir das memórias visuais de Marques Valentim — cujo trabalho se inscreve entre os mais relevantes testemunhos do foto jornalismo português sobre o 25 e Abril — uma reflexão sobre o regime ditatorial, a mudança política e os caminhos que conduziram à consolidação da democracia.
Sobre Marques Valentim
Nascido em Cascais, em 1949, João Marques Valentim frequentou o curso de Fotografia e Cinema nos Serviços Cartográficos do Exército, em Lisboa. Posteriormente, cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano foto-cine.
Iniciou a sua carreira no fotojornalismo após o 25 de Abril de 1974, colaborando com a Agência Europeia de Imprensa e com o diário A Luta, onde permaneceu até à sua extinção, em 1979. Integrou a equipa fundadora do Correio da Manhã e, mais tarde, trabalhou no Portugal Hoje, até ao encerramento deste matutino, em 1982.
Em 2001, foi distinguido com uma menção honrosa atribuída pela revista Visão, no âmbito do seu prestigiado concurso de fotojornalismo.
CM Portimão




