Serviços de Finanças Algarvios sem AC

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O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) alerta para a situação grave e prolongada em que se encontram muitos dos trabalhadores da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), devido à degradação dos sistemas de climatização em diversos edifícios públicos. A título de exemplo, em Santarém e em várias localidades algarvias, estes profissionais têm sido obrigados a desempenhar funções em ambientes que não garantem o mínimo de conforto térmico, sem que as entidades competentes tenham assegurado a reparação dos equipamentos avariados.

Concretamente no distrito de Santarém, a situação é particularmente evidente nos Serviços de Finanças de Vila Nova da Barquinha, Coruche, Constância, Tomar, Entroncamento e Almeirim, bem como na Direção de Finanças de Santarém, onde parte das instalações permanece sem climatização adequada. Também no Algarve o problema assume dimensão preocupante: Albufeira, Faro, Lagoa, Portimão, Silves, Tavira e Vila do Bispo apresentam equipamentos totalmente avariados, enquanto Aljezur, Loulé 2 e Vila Real de Santo António funcionam apenas com anomalias — um cenário de falhas sistemáticas que afeta todo o distrito.

Para o STI, estes não são casos isolados, mas sim um padrão persistente de desinvestimento que coloca em causa a saúde dos trabalhadores e o próprio funcionamento dos serviços públicos. O silêncio e a inércia das entidades responsáveis têm agravado, de forma alarmante, uma situação já de si insustentável — sobretudo numa altura em que o país enfrenta sucessivas ondas de calor extremo.

Os trabalhadores dos Serviços de Finanças estão expostos a temperaturas que ultrapassam claramente os limites aceitáveis para o exercício das suas funções, colocando em risco a sua saúde e segurança. Para além do prejuízo direto sobre o bem‑estar dos profissionais, estas condições comprometem a qualidade do atendimento ao público, dificultam o normal funcionamento dos serviços e violam princípios básicos de segurança e dignidade no trabalho, essenciais ao serviço público e à confiança dos cidadãos.

Perante a passividade da AT, o Sindicato interpelou a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) para a realização de intervenções inspetivas urgentes em diversos Serviços de Finanças por todo o país. Em vários destes locais, a gravidade e a reincidência dos problemas obrigaram à realização de mais do que uma ação de fiscalização. Noutros casos, dada a premência e gravidade da situação, o Sindicato avançou diretamente com denúncias às Autoridades de Saúde. Ainda assim, os problemas detetados continuam, na sua vasta maioria, por resolver. Este cenário de negligência institucional já extravasa o mero incumprimento legal: estas condições insalubres desgastam os trabalhadores, diminuem a sua produtividade e, acima de tudo, prejudicam a sua saúde.

Frise‑se que este conjunto de ações — inspeções da ACT, denúncias às Autoridades de Saúde e a via judicial — sustenta a reivindicação do Sindicato, dado que evidencia uma realidade marcada pela degradação estrutural dos serviços, pelo desinvestimento contínuo nas condições de trabalho, pela ausência de mecanismos eficazes de proteção laboral e pelo incumprimento sistemático da legislação de segurança e saúde no trabalho.