O preço mediano da habitação no Algarve fixou-se em 3.139 euros por metro quadrado em 2025, segundo os dados das Estatísticas de Preços da Habitação ao Nível Local divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 24 de abril. A região consolida-se como a segunda mais cara do país, apenas atrás da Grande Lisboa (3.439 €/m²) e bem acima da mediana nacional, que se situou nos 2.076 €/m².
O valor representa uma subida significativa, num contexto em que o preço mediano nacional disparou 16,8% em 2025, o aumento mais expressivo desde que existem séries comparáveis. Em 14 dos 16 municípios algarvios, a mediana de transações ficou acima do valor nacional, sinal de que a pressão sobre o mercado é generalizada e não se restringe à faixa litoral mais procurada por compradores estrangeiros.
Aplicando o preço mediano regional a um T2 com 90 metros quadrados, uma tipologia comum para uma família com um filho, o valor da habitação ascende a cerca de 282.500 euros. Para um T3 com 110 metros quadrados, a fatura aproxima-se dos 345.000 euros.
Considerando um financiamento a 30 anos com uma taxa anual nominal (TAN) de 3,5%, coerente com as condições praticadas pela banca, num momento em que a Euribor a 12 meses ronda os 2,5% e os spreads competitivos se situam perto de 1%, e assumindo que o banco financia 80% do valor do imóvel (entrada de 20% por parte da família, mais impostos):
- T2 com 90 m²: prestação mensal de cerca de 1.015 euros, à qual acrescem seguros (vida e multirriscos) que rondam os 40 euros mensais. Para cumprir a regra dos 35% de taxa de esforço aplicada pela generalidade das instituições, a família precisa de um rendimento líquido conjunto de pelo menos 3.000 euros por mês.
- T3 com 110 m²: prestação mensal de cerca de 1.240 euros, com encargos totais perto de 1.290 euros. O rendimento líquido familiar exigido sobe para os 3.700 euros mensais, o equivalente a um bruto agregado superior a 4.800 euros.
A estes valores há que somar a entrada, entre 56.500 e 69.000 euros, consoante a tipologia, e ainda os impostos e custos de escritura (IMT, Imposto do Selo, registo predial e despesas notariais), que podem facilmente acrescentar mais 5% a 8% ao valor da compra.
A comparação com a realidade salarial portuguesa é eloquente. Em 2025, a remuneração bruta mensal média em Portugal foi de 1.694 euros o que se traduz em pouco mais de 1.300 euros líquidos por trabalhador. Mesmo com dois rendimentos no agregado, uma família mediana fica claramente abaixo do limiar exigido para um T3 e no limite para um T2.
A situação é particularmente desafiante para os algarvios, dado que a região não se encontra entre as sub-regiões com salários mais elevados do país. O desfasamento entre o custo da habitação e os rendimentos locais é, aliás, uma das raízes do problema habitacional que a região enfrenta há vários anos.
Dentro do Algarve, as disparidades são significativas. Loulé (3.993 €/m²) e Lagos (3.801 €/m²) lideram em valor mediano situando-se entre os concelhos mais caros de todo o país. No outro extremo, municípios como Alcoutim, Monchique ou Castro Marim continuam a oferecer preços bem mais acessíveis, ainda que com menor dinâmica de mercado e oferta limitada de oportunidades de emprego e serviços.
A subida de preços ocorre num momento em que o crédito à habitação voltou a encarecer. Em março, a taxa de juro implícita do conjunto dos contratos vivos aumentou pela primeira vez desde janeiro de 2024, fixando-se em 3,088%, num movimento alimentado pela retoma da pressão sobre as Euribor desde meados de 2025.
Neste cenário, comparar propostas tornou-se decisivo. Uma diferença de 0,2 pontos percentuais no spread negociado pode significar mais de 10 mil euros pagos a mais ao longo da vida de um crédito. O ComparaJá permite confrontar simultaneamente as condições de vários bancos a partir do mesmo perfil de cliente, simulando prestações, TAEG e custo total do empréstimo em poucos minutos, uma ferramenta que ganha particular relevância quando o ticket médio das casas no Algarve se aproxima dos 300 mil euros.
As perspetivas para os próximos meses não apontam para um arrefecimento. A oferta de habitação nova continua estrangulada pela escassez de mão-de-obra na construção e pela morosidade dos licenciamentos, ao passo que a procura interna, mas sobretudo externa mantém-se firme. Para muitas famílias algarvias, a equação entre rendimento e preço da casa parece, por agora, sem solução à vista.
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