A subida da Euribor em maio deverá refletir-se nas prestações dos créditos habitação revistos em junho. No Algarve, onde os preços da habitação continuam entre os mais elevados do país, o impacto pode ser particularmente sentido por quem comprou casa nos últimos anos com taxa variável.
As famílias com crédito habitação indexado à Euribor devem preparar-se para uma possível subida da prestação mensal nos próximos meses. Em abril de 2026, as taxas Euribor voltaram a aumentar em todos os principais prazos, o que deverá ter impacto direto nos contratos revistos a partir de maio.
De acordo com os dados divulgados pelo ComparaJá, a Euribor a 12 meses fixou-se em 2,747% em abril, mais 0,182 pontos percentuais do que em março. A Euribor a 6 meses subiu para 2,454%, enquanto a Euribor a 3 meses avançou para 2,175%. Embora os aumentos possam parecer reduzidos, a diferença sente-se no orçamento mensal, sobretudo em empréstimos com valores mais elevados ou prazos ainda longos.
No Algarve, este tema ganha especial relevância. A região tem registado uma forte pressão no mercado imobiliário, com o preço das casas a atingir novos máximos. Em abril, o preço médio anunciado no Algarve chegou aos 4.009 euros por metro quadrado, mais 10,9% do que no mesmo mês do ano anterior, segundo o índice de preços do idealista.
Para quem comprou casa recentemente, muitas vezes com financiamento elevado e taxa variável, a revisão da prestação pode representar um esforço adicional no orçamento familiar. A dimensão do aumento depende de vários fatores: montante em dívida, prazo do empréstimo, spread contratado, periodicidade da revisão e indexante escolhido.
Perante este cenário, especialistas em crédito recomendam que os titulares de empréstimos não esperem pela próxima atualização da prestação para analisar alternativas. Rever o contrato atual, comparar propostas de outros bancos, negociar o spread ou avaliar a passagem para uma taxa fixa ou mista são algumas das opções disponíveis.
A taxa mista tem vindo a ganhar peso no mercado por permitir uma prestação estável durante um período inicial, mantendo alguma flexibilidade futura. Já a taxa fixa pode ser adequada para famílias que valorizam previsibilidade total, mesmo que isso implique abdicar de eventuais descidas da Euribor no futuro. A taxa variável, por sua vez, continua dependente da evolução dos mercados e das decisões de política monetária.
Para muitas famílias algarvias, a subida da Euribor em abril pode ser o sinal de que está na altura de olhar novamente para o crédito da casa, não apenas para tentar baixar a prestação, mas também para reduzir o risco de novos aumentos nos próximos meses.
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