Os dados do mercado de crédito habitação mostram diferenças expressivas entre regiões, e o sul do país está entre as prestações mais altas.
A compra de casa no Algarve faz-se, em média, com prestações mensais entre as mais elevadas do país. Segundo a análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá, plataforma de comparação e intermediação de crédito, a prestação média associada aos contratos no distrito de Faro situa-se em cerca de 762 euros, acima da registada em vários distritos do interior e em linha com as zonas urbanas de maior procura.
O valor reflete o preço do imobiliário na região, puxado pela procura turística e estrangeira, que pressiona em alta os montantes financiados. A nível nacional, o montante médio de empréstimo ultrapassa os 200 mil euros e o prazo médio dos novos contratos alongou-se para 33 anos, à medida que as famílias procuram diluir a prestação por mais tempo.
A pressão acentuou-se com a viragem dos juros. Depois da decisão do Banco Central Europeu de subir as taxas em junho, a EURIBOR, indexante da maioria dos contratos portugueses, retomou a trajetória ascendente, o que se traduz em revisões de prestação mais pesadas para quem tem taxa variável ou mista.
Segundo Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação do ComparaJá, regiões como o Algarve exigem atenção redobrada à negociação. «Em zonas onde os montantes financiados são mais altos, cada décima a mais no spread pesa muito ao longo de 33 anos. Comparar propostas de vários bancos antes de assinar pode significar uma diferença de milhares de euros no custo total do crédito», observa a responsável.
Para quem compra ou transfere crédito no Algarve, o conselho dos especialistas é o mesmo de norte a sul: rever a taxa de esforço, comparar o spread contratado com as condições atuais e ponderar a transferência do crédito quando o mercado o justificar. Numa região de prestações elevadas, é onde uma boa negociação rende mais.
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