Karma Camaleão – O “Leão da Terra” uma lição de humildade

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camaleaoQuando pensamos ser melhores que os outros e utilizamos um discurso insensível, desonesto e infundadamente superior, pensando que o mundo se vai encolher com o som troante, ensurdecedor da nossa potentíssima e maravilhosa voz, o Universo prova-nos o contrário. Sempre!

E esta declaração pode parecer uma coisa demasiado esotérica, desadequada da minha personalidade severamente desapegada dessas coisas, mas convenhamos que estou a falar, não da conspiração do Universo, nem do karma mas de uma coisa que é bastante senso comum: humildade. Ou “Karma Chameleon” (Karma Camaleão) como na música dos Culture Club. Nessa música o teledisco passa-se num barco. É uma analogia engraçada. “You come and go, you come and go”

Não percebo de leis, mas sei que ordens e coisas do tribunal são para se cumprir. Ninguém está acima disso. Nem a Sociedade Pólis, nem as pessoas que falam em nome dessa sociedade e que se colocam de escavadoras em riste contra comunidades de habitantes da Ria Formosa, por mais poderosos e inteligentes que pareçam. Não é que se tenha ganho a guerra, mas ganhou-se certamente uma pequena batalha. Não sou muito destas coisas, mas até Noé colocou camaleões na arca, quando veio o dilúvio. E fez muito bem. Porque não se haveria de proteger as pessoas e os camaleões?

Pessoalmente, gosto de camaleões. O nome “Camaleão” vem do grego e significa qualquer coisa como “leão da terra”. Movimentam-se devagar para as suas presas não se aperceberem do ataque eminente. Os olhos giram independentemente em todas as direções e têm uma língua que parece que nunca mais acaba. Alguns camaleões mudam de cor, para se camuflarem, ou por outras razões sociais e de saúde que só os próprios, ou especialistas na matéria saberão. Algumas pessoas são chamadas de camaleões quando se quer dizer que são pouco confiáveis. Acho que os camaleões não mereciam a comparação.

As ilhas barreira têm camaleões que merecem ser protegidos, assim como as pessoas das ilhas barreira, que precisam e gostam das suas casas e às vezes até um camaleão é mais tonitruante que certas vozes. Uma lição de humildade. Uma lição de liberdade no mês da democracia. Afinal, apenas uma sociedade doente coloca megalómanos no poder, deixando-os julgar-se maiores que a vida. A nossa ainda funciona. Meio hesitante, mas ainda apanha umas moscas.

Selma Nunes

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