Enquanto na passerelle política desfilam os tais dos possíveis candidatos a tudo e mais alguma coisa, inclusivamente a Presidente da República, o nosso Algarve foi atingido de frente pela mais brilhante estrela que conhecemos – o Sol.
O nosso melhor produto – luz solar – não só proporcionou extremos escaldões já costumeiros em dias de praia magníficos, como também foi patrocinador oficial das festas do ocaso, muito fashion, mas mais conhecidas pelo seu nome inglês “Sunset”. Nunca o nosso sol algarvio, marafado para a pele dos mais incautos esteve tão “in”.
Vestido a rigor, para acompanhar as modas, com uma nesga de mar ou braço de Ria a brilhar aquaticamente ao fundo, duas ou três gaivotas a enriquecer a moldura, o que importa é que o dito cujo fique poente e que haja bebidas e música. Por esta ordem.
Faro está transformado numa cidade festivaleira. Festas quase todos os dias e ainda vem aí o Festival F. Estão de parabéns as associações que saíram para as ruas e se desfizeram em eventos, como se o seu trabalho fosse mesmo esse. Até a obra de Santa Engrácia ficou acabada.
Aliás, em Agosto, está sempre muita gente de parabéns. Vamos brindar ao sol e à luz, às praias e às pessoas. Enquanto o sol se coloca no horizonte e me sento num terraço de muros brancos, tapado por um esguio loendro que teima em florir ociosamente e à sua vontade, passeia por lá uma pequena osga, cismo à boa maneira algarvia, com um ar desconfiado e maroto.
Enquanto a brisa deste fim de Agosto mais ventoso traz o aroma forte (demasiado forte para mim) da planta dama da noite, faço um brinde ao sol que se esconde por trás das chaminés com arabescos e prédios de azulejo e faço votos para que haja eleições todos os anos. Escaldão, por escaldão, nada melhor que um sim senhor a arder para fazer tudo acontecer…
Selma Nunes



