Ser só não é um orgulho. É uma consequência.

0
242
bola futebol-g
bola futebol-gA Inglaterra amanheceu “Brexit” enquanto nós por cá desnudávamos as ruas de gente e nos cobríamos com a bandeira das quinas, em preparos para a próxima torcida futebolística.

O mundo está a mudar enquanto festejamos o desporto rei, enaltecendo Ronaldo, o nosso rei sem coroa. E ele corresponde.

Também nunca foi tão verdade a expressão “velho continente”. Velho, desmemoriado, distraído e egoistamente inconsequente, é o que me parece daqui. Que poses são essas?

Vejo nacionalismos. Bacocos, prementes, mofos. O nacionalismo de extrema está a beber de todas as fontes do medo e a aproveitar todas as deixas para que cidadãos amedrontados os ajudem a aceder ao poder. Outra vez! O “velho continente” está sem memória?

Agora tudo ficou instável. Parece que o referendo inglês abriu uma caixa de pandora, que sopra ventos fortes em todas as direções. Ventos que separam em vez de unir. Vê-se da televisão os perdigotos de frustração dos líderes mundiais (e aqueles que o querem ser), originando pequenas raivinhas que atingem as vidas de milhares de pessoas. Nós todos.

Dizem que a União Europeia pode estar no princípio do fim. Dizem que o Reino Unido pode desconjuntar-se. Uma crise de xenofobia internacional que abre fissuras do tamanho do mundo.

Pelos reinos dos algarves cá vamos recebendo quem nos visita. Os festivais chegaram depois dos santos e comemora-se o sol, o calor e as praias em ambiente festeiro. Ao cair da tarde a nossa seleção vai-se apurando pelos mínimos, lá em França, onde todos temos familiares emigrados em segunda e terceira gerações.

Os nacionalismos já só fazem sentido nos jogos de futebol… e mesmo assim, que sejam saudáveis. O mundo é redondo como a bola e estamos todos no mesmo barco.

Já vimos onde nos levam os orgulhos à bandeira. Levam-nos a guerras, desemprego, fome, miséria, xenofobia, racismo, limpezas étnicas, perseguição religiosa… e “orgulhosamente sós” que são pescadinhas de rabo na boca. O “sós” não é um orgulho. No nosso mundo globalizado é uma consequência. Uma má consequência.

Selma Nunes

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.